
Dez da noite, vou à varanda, sou picada pela segunda vez por um vespão. Depois do chorrilho de asneiredo do costume, continuo a minha vidinha. Passados uns minutos começam-me a aparecer pintinhas minúsculas nas costas, braços, pescoço... comichão incontrolável, incluindo no couro cabeludo e ouvidos. Mais um chorrilho de asneiredo.
Comecei a sentir-me mal... ainda fui à net googlar sobre o assunto... nada. Um amigo meu diz-me: "Acabei de ver a Magg nos Ídolos... tão fofa a miúda."... Olhei para a TV, já não vi nada. Começo-se a sentir cada vez pior... a minha pele parecia agora feita de laranja leprosa... a coisa alastrou-se pelo corpo todo, pernas inclusive. Mais um chorrilho de asneiredo. Comecei a ficar seriamente preocupada.
"Olha que não me sinto nada bem...", sento-me no sofá para não desmaiar. Pego no tlm para ligar prá Saúde 24, mais dois sms sobre a Magg estar nos Ídolos... olhei de repente e via-a a passar à fase a seguinte, tão fofa a miúda. Ele leva-me para o hospital... vou no carro a bater com os cotovelos em todo o lado para me conseguir coçar.
Chegamos... ele vai estacionar e eu corro para a recepção. A rapariga do balcão tinha uma daquelas mascaras todas
fashion, Gripe A trend.
"O que é que lhe aconteceu?" -
"Um vesp... vesp... fui mordida por um vesp... vespão... não me estou a sentir muit... bem..." -
"Diga-me o seu nome se faz favor." - "Não me estou a sentir nada b...", e foi então que desmaiei, ali à frente daquela gente toda. Mas aquilo não foi um desmaiar qualquer... nada disso. Nada de cair em peso, ou bater com as fuças no chão. Encostei-me à parede, e deixei-me escorregar com uma certa elegância... atrevo-me a dizer, com um certo requinte mesmo. Uma coisa muito teatral e dramática. Só me faltou levar a palma da mão à testa e soltar um ténue
"Oooh".
Levaram-me para dentro imediatamente, só me convenceram a sentar-me numa cadeira de rodas quando desmaiei outra vez.
"O que é que lhe aconteceu?" - "Fui mordida por um vespão" - "O que é um vespão?". As pessoas falavam para mim como se estivessem debaixo de água. Foi tudo muito difuso. Começo com uma espécie de convulsões... a tremer que nem uma doida, e sem conseguir parar. Meteram-me um cateter, tiraram-me sangue, deram-me injecções e comprimidos. Levaram-me a um "especialista".
"O que é que lhe aconteceu?" - "Fui mordida por um vespão." - "Uma vespa?" - "Não, um vespão." - "O que é um vespão?". O gajo mediu a minha pulsação na maquineta... olhou para os valores do ecrãn, ficou lívido, leva-me na cadeira de rodas pelos corredores, numa condução à rally, ultrapassagens à maluca pela esquerda e pela direita. Íamos batendo de frente com uma maca.
"Saiam da frente, saiam da frente!". Leva-me para outra sala, chama uma data de gente. Cinco enfermeiros de volta de mim, assim uma coisa mesmo à filme.
"Ela está com o pulso a 33!!!!", diz ele apavorado. Eu não sei o que é ter o pulso a 33, mas pelo ar dele, calculei que não devia de ser nada bom,
"Vou morrer disto... que chatice, eu que ainda contava andar por aqui mais uns cinquenta anos". Voltaram a fazer uma data de coisas, incluindo mais umas picadas.
"Não tá nada a 33! Não podes confiar só na máquina, também tens de auscultar!!" - disse-lhe a outra médica, a tentar manter a compostura. Os enfermeiros olharam uns para os outros
"*cof, cof, incompetente*",
"JÁ NÃO PERCEBO NADA DISTO!!!", gritou o médico, completamente frustrado, e saiu da sala... não o vi mais.
Metem-me numa sala de vigilância,
"Isto é só para vigilância, entende?" - disse-me um enfermeiro com o nariz quase encostado ao meu, ao estilo
Michelle da
Résistance - "I shall say this only once!".
"Tenho de lhe dar mais uma injecção", estendo o cateter...
"Não, não... no rabo se faz favor!".. "No rabo? Ah sim?!? Olha que nice, ora então com licença."... vem mais não sei quem a dizer que tem que me dar ainda mais uma... estendo o cateter...
"Não, não... esta tem de ser no pulso, é para medir o oxigénio do sangue, entende?". O que eu entendi, é que tinha um cateter espetado na mão, e eles não paravam de me picar. Foi isso que eu entendi!
Metem-me entre duas velhotas a gemer. De um lado,
"Ai Belmira, Belmira... ai Belmira, Belmira!"... do outro lado "Ai que sou diabética, dêem-me qualquer coisa para comer senão morro!!".
E assim passarm 3 horas e muitos
"Ai Belmira, Belmira"... que vim depois a descobrir que era o próprio nome da senhora, porque um enfermeiro acabado de sair da Faculdade lhe disse:
"Ai D. Belmira, que você hoje não se cala!".
E pronto, lá chego a casa às 3 da manhã, toda picadinha... é que o vespão só me picou uma vez.. mas no hospital, picaram-me sete!
Conclusão, a comunidade de vespões enviou um super killer, com uma dose de veneno extra, na tentativa de me aniquilar de vez. Cabrõezinhos vingativos. O dia em que encontre o vespeiro, vai ser o bom e o bonito! É que a mim não me coitam assim... ai não não!
*Eish que ficou um post tão grande! Fuck it.*pic by DraculeaRiccy